10 de outubro de 2017

QUANTO MAIS VIAS MELHOR!!!

Via Babilina no Paredão das Lágrimas


Sobre abrir vias, considero um dos "jogos" mais bacanas do nosso esporte. Imaginar uma nova linha na parede, visualizar, planejar e por fim tatear cada saliência, buscando o caminho mais natural onde antes ninguém havia passado é uma grande experiência. Junte isso ao fato de poder contribuir com o esporte com uma nova opção de escalada, deixando um legado para que a evolução possa acontecer é realmente muito interessante. 

Nos últimos tempos, aproveitando a boa temporada a ilha de São Chico foi destino certo para a abertura de novas vias e boulders. 


Abaixo um apanhado geral das novas conquistas!




PÃO DE AÇÚCAR - VIA A FERRO E FURO  (6. 7c/8a E2)

Uma via que surpreendeu, primeiro pela qualidade da linha, suas movimentações variadas e verticalidade e em segundo por manter uma graduação "sustenida" em toda sua extensão. Tem aproximadamente 100 metros divididos em 3 enfiadas de 7.o grau (sugestão).

Quem estava de olho nessa linha era Felippe Karvat, trocamos uma rápida ideia e topei de imediato, em 4 investidas finalizamos a via, limpamos e encadenamos. 


A linha número 2 é a Ferro e Furo, entre as vias Desbravadores (1) e Dá ou Desce (2)


Equipamentos adicionais: Camalot .5 ao 3 ou material similar.
Rapel: Ideal com corda de 70m. Com corda de 60 m, da última parada (P3) melhor rapelar para a P3 da Da ou Desce, depois voltar à P2 da via e seguir ao chão.  Outra boa opção é levar os tênis e descer pela trilha (sentido Rocio) e contornar a parede pelo lado sul (10 minutos).

Croqui via A Ferro e Furo


PÃO DE AÇÚCAR - VIA ESCOLHA ERRADA (8a A2)

Aproveitando a onda e a parceria de Felippe Karvat, tinha vontade de tocar pra frente um antigo projeto na pequena parede voltada pra nordeste, onde ainda não tinha vias.

Esse setor é no mínimo interessante, parede vertical lisa, alguns sistemas de fendas e poucas agarras. 


Chegando no cume o Pão de Açúcar - São Chico/SC

O projeto em questão o qual chamamos de Escolha Errada, segue pelo óbvio sistema de fenda que atravessa a parede principal.

A via tem 30 metros e ainda não conseguimos liberar ela inteira, por enquanto até onde foi encadenada deu 8a, a parte alta ainda falta liberar. 

É uma boa opção pra fazer força ou treinar/aprender a escalar em artificial móvel, grau sugerido A2. Levar camalots .3 ao 4 (repetir as médias), aliens, clifs diversos e nuts.



PÃO DE AÇÚCAR - VIA BELLA LUNA (6. 7c/8a E2)


Com certeza mais uma excelente escalada. As duas primeiras enfiadas foram abertas em 2012 e eram já bem frequentadas. 


No começo da temporada foi terminada por Eduardo Sorriso e equipe, onde foi acrescentada mais uma enfiada de 30 metros até o final da parede, o grau ainda por confirmar deve ser algo entre 7c ou 8a. Tive o prazer de poder contribuir com sugestões e dar um "pega" pra provar o final. Na sequencia junto com Edu Maia encadenei emendando as duas primeiras enfiadas e fritando a cabeça no lance mais exposto da terceira, vale demais entrar nessa via! 




Reginaldo na via Vó Laudi


PAREDÃO DAS LÁGRIMAS


Um setor cheio de possibilidades que está sendo bem aproveitado, a cada temporada surgem boas escaladas. 

As novas vias são:  Lágrimas ao Sol (7b) com um lance final ainda por resolver e Roberta Nunes 10 anos (8a), uma bela linha negativa com boas agarras no começo e final, com lances mais técnicos e pouco óbvios no meio. Ambas as vias acabam na mesma parada e tem aproximadamente 25 metros. 

Foram abertas por João L. Pinto e Igor Jung. Essas duas vias estão localizadas na parte extrema esquerda do setor junto da via No Woman No Cry, que também recebeu uma extensão e passou de 5. para 7b. 
Esse setor ainda tem muitas possibilidades de vias esportivas, tanto fixas como móveis.


Via Contraponto 8b
O mesmo setor também oferece boas opções de boulders no meio da floresta e também foi foco de boas investidas nessa temporada.
Destaque para bloco do Ônibus que está desafiando a todos devido a sua negatividade e poucas agarras.


Sorriso tentando pegar o Ônibus

CAMPO ESCOLA TIRIÚ

Devido as excelentes possibilidades e pensando nos escaladores iniciantes, em companhia de Reginaldo Carvalho abrimos um novo Campo Escola na região, localizado no setor Tiriú.

O lugar já é um velho conhecido por causa de seus incríveis e incontáveis boulders a beira mar.


Campo Escola Tiriú

Restauramos e melhoramos algumas vias antigas, mantendo o padrão original da conquista e abrimos novas vias para guiar com proteções fixas. Nos apoiaram nesse processo dando dicas e provando as vias logo após serem abertas: IzaBela P. Cardoso, Leo Schmitz e Thais Ávila.


Sabrine Ceccato na via Freefenda

Para inaugurar e apresentar o setor, organizamos junto ao Centro de Escalada Jurapê um belo encontro de escalada. 


Felipe Shokida na via Minguante
Jurapê Escalada

Lucas na Billie Jean
Amanda lobato em sua primeira guiada na via Billie Jean


PÃO DE AÇÚCAR - RISO DO CAVALO (4. V E2)

Essa foi uma via que valeu a pena ter sido aberta. 

Conquistamos ela dentro do programa do curso de Abertura de Vias, onde a equipe de alunos: Dinnfer Reatto, Robson Georg e Samuel Mezzomo, pode aprender e por em prática o conteúdo adquirido.


Equipe Riso do Cavalo

O programa foi composto de uma aula teórica, onde foi apresentado os equipamentos a serem utilizados e uma discussão sobre Conduta Ética, amparado pela Declaração do Tirol entre outros textos e documentos.

Uma aula prática no setor Tiriú para aprender a utilizar os equipamentos específicos, técnicas de progressão, instalação de proteções fixas, entre outras. Nesse dia foram abertos 3 novas vias para fazer em top rope, Freefenda IV, Maremoto V+ e Bob Rope IV+ e mais uma via para guiar, a Tubérculo V+.


Robson equipando o Maremoto (V sup).


Dinnfer no aprendizado das técnicas equipando a via Tubérculo (V sup)

No terceiro e quarto dia partimos para o Pão de Açúcar e abrimos vindo de baixo e 100% em livre a via Riso do Cavalo, que segue uma boa linha de agarras, em uma parede levemente positiva com algumas barrigas mais verticais e um pequeno sistema de fenda pra fechar a via com chave de ouro.

Samuel fixando uma proteção


Dinnfer conquistando mais uma passada

Da minha parte, como instrutor, fiquei super feliz em ter atingido os objetivos que tinha proposto, além de deixarmos mais uma boa contribuição de vias à todos os frequentadores desses setores. 

Utilizamos em todas as proteções fixas instaladas nessa e nas outras vias acima citadas chapeletas inox da Bonier Equipamentos. 


Croqui Riso do Cavalo

Para mais informações as escaladas da região no Guia de Escaladas em Rocha de São Francisco do Sul segunda edição 2016. 

5 de maio de 2017

Mulheres na Montanha


TRAVESSIA ARAÇATUBA X MONTE CRISTA
PROVAVELMENTE A PRIMEIRA REALIZADA SÓ POR MULHERES

Já havia algum tempo que cada uma de nós tinha vontade de realizar esta travessia, a mais longa aqui da região sudeste do Paraná - nordeste de Santa Catarina; havia também a vontade de realizar uma travessia na Serra do Quiriri só com mulheres. A partir daí surgiu à ideia de reunir um grupo de montanhistas, com experiência e preparadas para encarar o desafio!

DADOS GERAIS

Período de realização: 29 de abril a 01 de maio de 2017
Percurso total: 60,7 km
Participantes da Travessia:
Cecilia Suarez (Córdoba/AR)
Greissy Caminski (Curitiba/PR)
Idce Sejas (Curitiba/PR)
Juliana Hoy (Curitiba/PR)
Lucimara Bertioti (Curitiba/PR)
Marina Sutilli (Joinville/SC)
Priscila Guimarães (Paranaguá/PR)
Yara de Mello (Joinville/SC)

Travessia Araçatuba - Monte Crista



BREVE RELATO


14 de fevereiro de 2017

Campo Escola - Anhangava

Anhangava

O Anhangava é uma montanha de 1.430 metros de altitude localizada na Serra do Mar paranaense. Um dos grandes destinos para os praticantes da escalada em rocha, é considerada um excelente "Campo Escola", haja visto a grande quantidade de vias  de baixa e média graduação em diversas técnicas e estilos, inclusive foi nessas paredes onde o termo campo escola foi cunhado, nos idos da década de 40.

Via Quarto Mundo (4. Vsup) - Setor campo das panelas.
Quem escala nessas paredes pode literalmente sentir na pele a abrasividade do granito e sua excelente textura. As vias exigem do escalador uma técnica apurada, principalmente a partir do 6. grau, onde a inclinação aumenta e as agarras diminuem. Saber usar bem os pés e aproveitar ao máximo a aderência da rocha é fundamental. Sem dúvida essa montanha favorece o aperfeiçoamento da técnica a um alto nível, onde de nada adianta ser forte, se não souber se posicionar adequadamente, para então "levitar" no granito.